quinta-feira, 29 de agosto de 2019

26ª CONCENTRAÇÃO DE MOTOS DE GÓIS 2019 - TOMADA POR ASSALTO




Sou mais um entusiasta das motos que nos últimos sete anos tem marcado presença na concentração anual de motos em Góis, não porque seja entusiasta das concentrações, mas porque em Góis sentia algo diferente e especial, que não tinham as outras.
Góis, uma pequena vila de interior que só conhece quem vai lá com esse propósito, foi para mim como ir a um oásis no meio do deserto. O que me atraiu foram as motos, porém essa vila pacata, com aquele rio de águas cristalinas que a atravessa e a possibilidade de passar uns dias onde todos conseguem conviver e divertir-se na maior harmonia, levou-me a renovar em cada ano a vontade de volver.
Antes de avançar para o assunto que me leva a escrever este texto, quero referir que durante estes sete anos, constatei com agrado a forma como, a pouco e pouco, tem a Câmara dedicado ao melhoramento e arranjo das diversas infraestruturas da vila.
O mais importante tem sido na parte envolvente do rio, passadiços, areia, mas este ano também reparei em diversos melhoramentos, como a requalificação da rua principal, Rua Cmdt Henrique Neves, passeios ao longo da parte urbana da N2 que atravessa a vila e muitos outros detalhes que valorizam cada vez mais a vila e tornam mais agradável a estância dos seus habitantes e dos visitantes.

Também se tem notado um notável progresso de investimentos e expansão dos negócios dos particulares, o qual atesta o bom caminho tomado até agora.
Porém, se até esta última concentração, tenho registado um progresso só para o lado positivo, este ano senti que determinados aspectos, que a mim me sensibilizam, ultrapassaram a linha do razoável.
A presença de elementos da GNR era visível, inclusive, no dia em que cheguei, havia uma patrulha a fiscalizar motos à entrada da vila, no sentido de quem vem de V: N. Poiares, mas durante todo o fim de semana, fiquei com uma sensação de que Góis tinha sido assaltada por bandidos.
Tal como os hooligans que vão ao futebol só para fazer barulho e distúrbios, Góis parecia que tinha sido tomada de assalto por indivíduos montados em motos, muitas delas em estado de sucata e com o escape livre, apenas com o intuito de fazer barulho, noite e dia. A GNR, como já disse, presente, mas sempre impávida e serena.
Junto ao rio, ao longo da Av. Eng Álvaro Nogueira, perante um sinal explicito de proibido o estacionamento de auto caravanas, o “chico-espertismo” imperou. São cada vez mais aqueles que montam as suas caravanas a livre arbítrio e se estendem para os passeios para fazerem churrascadas e as suas cadeiras instaladas para descansarem, em detrimento dos milhares de pessoas que por lá passam. O mesmo se verifica junto ao Mini Preço, onde bandos ou famílias inteiras acampam com toda a impunidade à vista de tudo e de todos.
Também junto ao rio, mas do lado da N2, em anos anteriores havia um ou outro que acampava, mas este ano eram dezenas… e como será para o ano?
Imagino a má imagem que a maioria dos habitantes de Góis devem ter dos motociclistas. Barulhentos, sujos, indisciplinados, bêbados… Peço desculpa a esses habitantes, mas quero aqui afirmar com veemência, que essa imagem não é a verdadeira, é causada por uma pequena minoria que nem sequer lhe devia ser permitida o acesso ou então devia ser expulsa por má conduta.
Pergunto, de tudo aquilo que até agora descrevi  - motos ilegais, fazer ruído a todas as horas, campismo e estacionamento indiscriminado, qual é o benefício económico que leva à região. Nenhum, absolutamente nenhum. Bem pelo contrário. Indigna e irrita os habitantes locais, as pessoas de bem e cumpridoras são perturbadas, afastam-se e não voltam e atrai cada vez mais banditismo e desordem.
Por tudo isto, penso que a Câmara Municipal devia tomar conta do assunto, antes que seja tarde. Bem sabe se sabe, tudo o que sobe também cai, não há bem que sempre dure…
Para que não se pense que apenas sei exercer o acto de criticar, avanço por isso com algumas sugestões que me ocorreram e penso que poderão minimizar este estado de desordem:
·         As forças de segurança (GNR) terem um par de equipas activas, no sentido de garantir que:
- Os donos das motos que fazem ruído excessivo ou apresentem irregularidades, sejam interpelados e multados se necessário (garanto-lhe que não será necessário multar muitos para correr a voz)
- Não deixar que haja campismo e caravanismo selvagem, fora das zonas assinaladas para tal.
·         Não permitir que estacionem, tanto as caravanas como os carros, ao longo da faixa junto ao rio, na rua Eng. Álvaro Nogueira, para assim as pessoas poderem circular com fluidez.
·         Improvisar nas imediações uma área para auto caravanas, a qual pode ser gerida pelo moto clube, tal como o campismo.
·         Interromper todo o trânsito, excepto veículos de emergência, prioritários e residentes, entre a rotunda onde inicia a Av. Luís de Camões (Café Álvaros) e o cruzamento com o início da CM 1428. Isso desincentivará que as motos andem em circulo à volta da vila e com isso se reduzirá substancialmente a poluição ambiental e sonora, e claro as más condutas.

Provavelmente no próximo ano não volverei. Aquele impulso que me impelia em voltar, desapareceu. Os bandidos já tomam conta da vila, o rio Ceira já não é o que era, as suas águas cristalinas agora são escuras. E a verdade seja dita, o programa dos espectáculos tem ido cada vez a pior. Este ano, no sábado, que é o dia de maior afluência, sem qualquer critério, nem gosto, nem coerência, puseram a tocar uma banda clássica daquelas que tocam nas festas das aldeias, e seguida de duas bandas de “hard rock”.
Tenho a sensação que esta concentração atingiu o ponto mais alto. Se não forem tomadas medidas corre o risco de entrar em declínio, deitando por terra todo o esforço e persistência destes 26 anos.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

FINALMENTE!



Sim finalmente! Finalmente sinto a emergir a cultura das novas gerações.
Em Portugal, com a permissividade dum regime democrático corrupto, frouxo e falível, a mediocridade instalou-se, emergindo, não os melhores, mas aqueles que mais rápido se meteram, os que tinham amigos influentes, os amigos dos amigos, familiares, padrinhos etc., enfim, instalou-se o denominado “chico-espertismo” e a lei do desenrascanço, que não mais parou até aos nossos dias.
Esta metodologia invasiva, mas tão portuguesa apoderou-se dos diversos sectores da nossa sociedade e foram a pouco e pouco tolhendo a nossa identidade e o orgulho de sermos portugueses.
A política e a cultura foram os sectores que mais se destacaram no derrube social, sendo que os primeiros, os políticos, deram o golpe de misericórdia ao conseguirem estabelecer um acordo ortográfico com países com quem não temos qualquer identidade cultural (eles sim poderão ter alguma connosco), sendo prova disso a sua resistencia na sua implementação (o Brasil adiou 3 anos) e outros ainda nem sequer anunciaram data de implementação (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).
Na parte cultural, a força gravitacional da capital acabou por centralizar todas as emissões audiovisuais. O povinho passou então a ser banhado por uma cultura e uma espécie de dialeto (lisboeta e brasileiro) que nada tem a ver com aquilo que é o nosso país puro e profundo.
Se é coisa que não suporto é ver na televisão e ouvir na rádio aquelas gajinhas a falar com voz esganiçada pronunciando um português que parece que levou um polimento intensivo com um produto abrasivo!
De repente senti que algo está a mudar. Pela primeira vez senti que as novas gerações começam a empurrar os velhos e desgastados dinossauros da geração do 25 de Abril. Já era hora de expulsar toda essa cambada de oportunistas e inúteis, que nada tem feito para além de cuidar da sua vida e levar Portugal ao buraco donde estamos.
É na arte e na cultura que vejo emergir toda essa força, também muita criatividade e muita qualidade. Vejo isso no novo humor, nos novos artistas, nos novos cantores. Sinto que novamente poderei deixar-me envolver-me pela cultura portuguesa, e desfrutar daquilo que é a nossa identidade, aquilo que é nosso!
Devagarinho mas porra (!), finalmente!

sábado, 14 de abril de 2018

MENSAGEM POR ROUBO NA VIA VERDE

Hoje telefonei para o vosso centro de atendimento telefónico. Não sei quanto tempo estive, ademais foi por um problema causado pelos vossos serviços, mas apenas queria denunciar o autentico roubo que fazem nas chamadas para o vosso número de valor acrescentado. Cinco euros! Cinco euros para resolver um problema causado por má actuação de elementos ao vosso serviço.
É uma vergonha, uma empresa que factura milhões e ainda tem que extorquir dinheiro nas chamadas aos seus clientes!
Reclamo por isso o dinheiro que gastei, pois a situação foi por vós causada .
Desiludido e desanimado por ver empresas cujo único ânimo é a ganância.
Aguardo a ver se tem a decência de me contactar...
Eu de certeza que não volto a ligar, pois esgotei todo o meu saldo do telemóvel.
Cumprimentos

domingo, 25 de março de 2018

ESTADO CIVIL OU REGISTO CRIMINAL?


Há uma série de preconceitos enraizados no tema do estado civil. A víúva negra que mata os sucessivos maridos, a divorciada que não resiste aos seus impulsos sexuais, o solteirão que poderá ser homosexual porque não casa…
Os estados de ser viúva/o, divorciado/a, solteira/o ou casado/a, é uma carga que cada um tem que suportar ao longo da sua vida como se de um cadastro criminal se tratasse.

Nos tempos que correm isso deixou de fazer qualquer sentido. Os preconceitos existem mas a imposição moralista, normalmente comandada pelo fanatismo religioso, tem vindo a debilitar-se progressivamente nos estados democráticos, como é na Europa. Por isso as pessoas das novas gerações tem contornado essas imposições sociais e por isso há cada vez mais gente que conserva o estado civil solteiro e vive em união de facto ou algo parecido.
Pelo exposto, considero que é hora de acabar com esse registo cadastral que obriga o cidadão comum a enfrentar a sociedade com o seu passado, sem nada ter feito de mal para além de ter vivido a sua vida.
É hora de mudar. A ninguém lhe interessa ou deve interessar se a pessoa se divorciou, se ficou viúvo ou qualquer outra particularidade da sua vida. Poderá interessar se a pessoa está livre ou não para uma nova relação, mas nada mais. Por isso proponho que, de forma muito simples, passe a constar como estado civil de cada indivíduo, se está LIVRE ou COMPROMETIDO.
Na nova forma de COMPROMETIDO, também incluíria a forma que tem sido cada vez mais adoptada pelos jovens que é a de juntos ou de união de facto.
Os actuais estados civis – solteiro/a, casado/a, viúvo/a, e divorciado/a, passariam com excepção do primeiro, a referir-se apenas ao acto em si, sendo utilizado como justificação da ocorrência no registo civil. Por exemplo, a pessoa que tem o estado civil LIVRE, ao casar-se passa a ter o seu estado civil de COMPROMETIDO.
Que vos parece?

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CARTA À RÁDIO ANTENA 3


Caros profissionais da rádio Antena 3,

O convénio que as rádios têm com a SPA para não pagar direitos de autor, com a contra-partida de passar 50% de música portuguesa, deu cabo das emissões, uma vez que a música portuguesa em geral continua imersa na mediocridade e agravado  por uma selecção de qualidade e gosto duvidoso, às vezes deixa-me à beira de uma ataque de nervos.

Por costume, há décadas que ouvia a rádio comercial ou a RFM. Estas rádios enveredaram por selecções de musica que me pareciam no mínimo de mau gosto (menção especial para o canta-autor António Araújo, que coitado está desprovido de qualquer vocação), eu até quase diria que os próprios músicos ou editoras comprariam o espaço. Ademais de também irem buscar muita música aos PALOP que em nada tem a ver com a nossa cultura, alguns locutores chegaram ao cúmulo de criarem as suas próprias letras com base em músicas comerciais de sucesso nos top e até fizeram espectáculos ao vivo enchendo pavilhões! Como andamos de gostos! De certeza que esse público deve ser o mesmo que devora as telenovelas da televisão!

Saturado, relegando para último a atitude radical de deixar de ouvir rádio, decidi experimentar a antena 3, com a qual levei uma grande e agradável surpresa. Descobri que existe um mundo belo e colorido para além deste mui cinzento e degradado (musicalmente falando, claro).

Constatei que afinal ainda há criatividade na música portuguesa. Descobri novas sonoridades, novos autores, que dá gosto ouvir e voltar a ouvir. O mesmo se passou com a música estrangeira. Conheci novos autores, novas bandas, com uma sonoridade sóbria, mas inebriante, que nos deixa a vontade de voltar a ouvir e saber quem é.

Felizmente ainda existe lugar à desconformidade e à diferença. O combate à mediocridade e ao mau gosto. A oportunidade de conhecer novas revelações!

Bem hajam antena 3 e oxalá seja por muito tempo!
____________________________________________________________________
PS Por favor passem mais música do Tiago Bettencourt, que é um dos maiores canta-autores portugueses da actualidade

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A CONSPIRAÇÃO DO PORCO

Há bem pouco tempo convidaram-me para mais um dos muitos eventos que terminam em almoço-convívio. No meio da conversa revelaram-me o grande atractivo, o porco no espeto, a que muitos faz salivar, mas a mim levou-me a reflexionar sobre esta e outras novas modas culinárias e consequentemente parir este texto.
Há muito que estou atento às manobras subtis da pesada indústria alimentar. Sedente de lucro e de soluções para fazer frente à cada vez mais desconfiada sociedade, essa grande máquina que nos põe a comida na mesa utiliza todos o meios disponíveis para nos manipular e levar-nos a consumir naquilo que eles querem, independentemente do bem ou mal que nos possa fazer à saúde.
Nos velhos tempos, em casas dos meus pais, durante vários anos fazíamos a matança do porco. Aquilo era uma festa, mas também horas de muito trabalho, pois o bicho era dividido em múltiplas partes e cada uma delas tinha o seu destino e o seu proveito. Foi exactamente por isso que chegou o ano em que se decidiu parar, porque gerava tantas partes nefastas para a alimentação, nomeadamente a gordura, muita gordura, que não era mais suportável dar-lhe destino, a não ser que se abrisse uma fábrica de sebo ou de sabão.
Como a imaginação e a criatividade humana não tem limites, aproveitando já agora para salientar uma “qualidade” muito portuguesa,  o “chico-espertismo”, houve alguém que pensou, como despachar um porco sem ter desperdícios. Pois bem, o porco no espeto! Basta por o porco por cima de umas brasas, lambuzá-lo com muito molho, cortar em fatias fininhas para que não se note o que vai “na bagagem” e toca a ver todos os comensais a babarem-se por aquele riquíssimo manjar. E assim temos os clientes completamente satisfeitos a lamberem os dedos impregnados de gordura e um porco despachado, sem perdas nem desperdícios!
Mas nem sempre é possível despachar um porco inteiro e então acumulam-se aquelas partes gordas que ninguém quer(ia) comer…. até que um belo dia outra alma criativa inventou o bacon, a que nós chamávamos de toucinho e o dicionário de língua portuguesa identifica como sendo uma “camada de gordura por baixo da pele do porco, usada em culinária”.
Penso que não é necessário gastar tempo a detalhar qual a composição dessa parte do porco e o mal que faz à nossa saúde, mas posso afirmar que a popularização desse troço de carne veio resolver um grave problema de saturação que tinham entre mãos os produtores e retalhistas da indústria da carne.
E como resolveram o problema? Muito simples. Sendo um produto que é ao preço da chuva e ademais a sua composição principal – a gordura, é das mais aditivas que existem depois do açúcar, bastou pô-lo nas mãos dos gigantes da comida rápida (Mcdonald´s, Burgerking, Telepizza, Pizza ut, e muitas mais), por a potente máquina publicitária a funcionar e pronto, transformaram um troço de carne gorda que ninguém comia pelo mau que era, num dos produtos mais populares e apetecidos do mundo!
É evidente que escrevo isto com a maior das indignações, porque a indústria alimentar conspira repetidas vezes contra a nossa saúde sem olhar a meios e sem remorsos,  constituindo um verdadeiro atentado criminal que está a arrastar a maior parte da população pelo caminho da obesidade, sem dar-se conta, tal quais as inocentes ovelhinhas que vão a caminho do matadouro.
Culpados? Vamos sempre ter aos mesmos. Já sabemos quem são os prevaricadores, mas depois temos aqueles que o permitem e imagina lá quem são… os políticos, claro!
Fazem leis para tudo, mas em relação à alimentação é tudo muito cauteloso e liberal. E o que vale é que existe o parlamento europeu que pariu muita legislação de informação ao consumidor, senão estes pobres “portugas” estavam mesmo entregues aos algozes!
Anda meio mundo (político) apanhado pelo rabo, ou seja, com um pé na política e outro nos grandes grupos económicos e por isso movem-se com muita cautela. Ademais as pessoas ao estarem doentes vão alimentar outra grande indústria, que é a da saúde. Pobres ovelhinhas!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

UM DEPOIMENTO MUITO LOUCO

  Quando pequeno e na hora da sesta estava na cama com o meu pai (sim, sim uma sesta!) ele, que era um mestre a contar anedotas e muitos episódios engraçados (foi nesse cenário que me ensinou a assobiar), costumava recitar uma cantilena muito engraçada, da qual memorizei apenas uma pequena parte e soava assim:

Era meia-noite quando o sol raiava, entre as trevas de uma claro dia.
Que vejo eu?
Um jovem ancião, sentado num banco de pau de pedra, que calado assim dizia:
- A lua é uma esfera quadrada... (e mais não sei).



  Como na internet se encontra tudo ou quase  tudo, lembrei-me de pesquisar sobre o assunto.
Sim, encontrei bastantes coisas, que coincidiam algo na primeira frase, sendo na sua maior parte oriundas do Brasil, titulado como Um depoimento (muito louco) (clicar) ou a Carta de um louco para um maluco (clicar), mas onde encontrei a mais parecida foi numa conta do facebook denominada de  HojeEuChoro (também do Brasil) que passo a transcrever:

Era meia noite em ponto
O sol raiava por entre as trevas de um claro dia.
Um jovem ancião da barbas brancas
Sentado num banco de pau, feito de pedra
Lendo um jornal sem letras
Muito calado assim dizia:
Na rectaguarda da frente
Morreu gloriosamente um sargento tenente
Ficando em perigo de vida.


  Velhos tempos...


sexta-feira, 12 de maio de 2017

A TRISTEZA DOS PORTUGUESES

Nas várias ocasiões que conversei com os nossos vizinhos espanhóis sobre o que pensam de nós portugueses, têm uma opinião quase unânime de que somos um povo triste e excessivamente formal,  poeticamente falando, suavemente envolvidos pela melancolia do fado. Ademais fazem alarde que são um povo alegre, festeiro e cercano.
Essa era também a ideia que tinha, alentada também pelos canais nacionais espanhóis, onde realmente se pode ver alegria, humor, beleza, comunicação, etc... No na prática, as coisas não são bem como nos fazem imaginar.
Foi ao viver algum tempo no seu meio que me deu a oportunidade de verificar que os espanhóis são exactamente como nós portugueses. Há pessoas alegres, tristes, introvertidas, comunicativas, imaginativas, ignorantes, formais, próximos, conflituosos, isolados, desagradáveis, hospitaleiros, sociável, solitários, tudo, tudo igual como nós!
Mas afinal onde está a diferença?
- A diferença está na força do conjunto como povo e na política da sua comunicação social.
Conhecendo os espanhóis individualmente, em tudo parecem iguais a nós, mas em conjunto revelam uma sinergia ímpar, que nós portugueses nem por sombras conseguimos. Ao longo dos tempos estabeleceram tradições, convívios, festas, hábitos sociais que tornam qualquer lugar acolhedor, surpreendendo positivamente qualquer visitante desprevenido. Ok, ok, nós também temos disso, mas num grau substancialmente mais baixo. Por essa e por outras estão atualmente a beneficiar de um turismo apoteótico e que não pára de crescer…
Mas onde a diferença é abismal (para mim quase chocante) é na comunicação social. Indubitavelmente temos um comportamento excessivamente formal. Num primeiro contacto tratamo-nos sempre por “você”, favorecendo o afastamento, custando-nos depois estabelecer a necessária confiança e intimidade. A escrever…, bom a escrever, somos desmesuradamente formais! Estou a escrever este texto e sinto que estou a ser formal. Que vou eu fazer? Sou português! Em Espanha, é tudo muito mais informal. Os palavrões e o calão soam bem; isso acaba por ajuda as pessoas a comunicar de forma mais íntima e estimula as relações pessoais. Em Portugal, isso soa a ofensivo, mal-educado e dá sensações de falta de cultura.

Imagem típica da televisão portuguesa.
 Uma boca invertida significa "tristeza", não?
Mas o pior de tudo são os órgãos audiovisuais. Em Portugal, aquando da transição para a difusão da TV digital - TDT, assistimos a um autêntico embuste e saque ao povo português, quando em uníssono todos os canais, digo - RTP1,RTP2, SIC e TVI, praticamente bloquearam a emissão livre e direccionaram todo o seu potencial para os canais pagos. Paralelamente, temos assistido impávidos à selecção de uma geração de profissionais da comunicação social, que é um autêntico retrocesso e agressão ao espírito dos portugueses. Com as tristes esfinges mumificadas que neste momento desfilam pela televisão portuguesa, o humor esfumou-se, a formalidade tornou-se obrigatória e o acento do sul (Lisboa) impera. É aí que a nossa imagem é mais lesada e ao mesmo tempo envolvem-nos de tristeza. Onde está o humor dos anos 40 como o Pátio das Cantigas? Enterraram-no, essa cambada de parasitas presumidos que ganham rios de dinheiro e ainda comprometem a nossa cultura e o nosso espírito. Com toda a certeza que são parentes ou compadres daqueles que fomentaram o polémico acordo
ortográfico.

É nisto que os espanhóis levam a nota máxima. Na transição para o TDT, investiram fortemente na televisão pública, tendo cerca de 40 canais livres, entre nacionais e autonómicos. Seleccionam os melhores profissionais tendo em conta as suas apetências e qualificações. O humor, a cultura, a beleza, a atitude positiva, a solidariedade, a preocupação pelo bem-estar e pela razão e pela justiça, são de entre os muitos valores que diariamente são transmitidos ao povo espanhol.
E que é que daí obtém? Obtêm um povo alegre, positivo, cheio de vontade de trabalhar, de se divertir, de viver…

E nós? Parece que nos condenaram condenados a sermos para sempre os “três tristes tigres”, não por sermos tigres mas por sermos tristes, sem o sermos…

quarta-feira, 12 de abril de 2017

MISÉRIA ENERGÉTICA

Sim, é isso mesmo que estamos a viver neste momento. Miséria energética!
Temos que retorcer-nos para gastar o mínimo, porque o preço da energia está pelas nuvens.
Não é porque esteja difícil de obter, mas porque está como tudo o que dá dinheiro, está sujeito a uma obscura especulação a que a política propositada e interessadamente fecha os olhos ou até incentiva.
Como se isso não fosse suficiente, voltam os políticos a meter a mão, utilizando para tal  um dos instrumentos seus preferidos  chamado de impostos, que neste momento agrava em mais 23% a factura e assim poderem compensar a desastrosa gestão que fazem do dinheiro recaudado.
Ao ver o valor final de uma factura, fico absolutamente alarmado e preocupado sobre a miséria a que nos submetem, tudo para que uns poucos vivam com muito (milhões) e possam fazer uma gestão desafogada e despreocupada dos dinheiros públicos.
Para o caso de que alguém tenha dúvidas, pode-se ver a factura acabadinha de chegar, nítida e a cores!
33,74 € de electricidade, 34,30€ de gás e 27,15 € de impostos!!!


terça-feira, 28 de março de 2017

O REGRESSO

Guardado há 33 anos, tenho este poema que me foi entregue aquando da minha formação militar, que sempre me comove cada vez que o leio. Desfrutem....

Tinha acabado a guerra; e Deus, lá nas alturas,
1ª GG - Desfile de tropas portuguesas em Paris
Cercado de astros de oiro e pulcros querubins
Ouviu sons marciais, fanfarras e clarins,
E um ardente vozear de humanas criaturas.

´Que rumor – perguntou, perturba assim o ar?´
"Senhor, lhe responde alguém da corte celestial,
-Os bravos vencedores da Guerra Mundial,
Sob o Arco do Triunfo estão a desfilar."
Na célica mansão um sussurro se expande;
E a densa legião de almas plenas de graça
Acorre curiosa e se debruça e esvoaça
P'ra melhor distinguir a marcha heróica, grande!

Então o bom S. Pedro, o santo venerando,
Que por mando divino é dos céus o porteiro,
Gritou: "Chamai Flambeau, o esperto granadeiro,
Para explicar o que se for passando."

Flambeau, que combateu e foi dos mais ousados,
Acerca-se atencioso, observa por momentos, e informa:

"Vão ali famosos regimentos,
A glória militar, indómitos soldados!"
Cavaleiros, então, avançam com ardor
E ele anunciou: "Desfilam os dragões!..."
Estremecem no céu os áureos portões
Que a voz do povo era um estrídulo clamor.

- "Mas isto nada é...", disse Flambeau atento.
"Olhai a Artilharia!..." Em enorme alarido,
Reboam saudações qual ciclone enfurecido,
Ascendendo em rajada até ao firmamento.

E Flambeau continua: "Isto ainda não é nada!
Vereis melhor Senhor... Eis os aviadores!..."
Regougam pelo espaço os potentes motores,
A ponto tal que a voz do povo é sufocada.

Flambeau proclama com enlevo! "Os Marinheiros..."
Desta vez o entusiasmo os mundos excedeu;
E cativado, o sol, palmas de oiro abateu
Sobre os rijos heróis, que foram dos primeiros.

" Agora, Senhor meu - disse Flambeau ovante –
Vereis quando passar a nobre Infantaria...
Tenho medo que o sol estoire e finde o dia
E a noite eterna envolva a Terra num instante.
Serão aclamações estrondosas, torrenciais,
Vibrarão no azul qual doida trovoada
Verse-á a multidão frenética, entusiasmada,
Delírio igual jamais se viu, jamais."

Surgiram a seguir os homens das trincheiras,
Alpinos, caçadores e toda a infantaria.
Nas suas expressões claramente se lia
O martírio sofrido e angústias e canseiras.
Quando o canhão, rugindo, a morte semeava,
Impávidos, no posto, assim permaneciam...

Era uma coorte altiva, os tantos que ali iam
Um grande, imenso, mar de heróis que ali passava.
Às quentes saudações que a multidão soltou
Silêncio se seguiu, silêncio e nada mais.

O espanto avassalou as regiões siderais.
E Flambeau, indignado, agreste se expressou:
-"Assim os recebeis, ó crua, ingrata gente?!
Por vós riram da morte e a fome desdenharam,
Cansados de sofrer jamais o confessaram,
São de aço os quais ali vão, tropa digna, valente!
Deveis-lhe orgulho, sim, a graça de viver
E, em vez de os abraçar, calais-vos? Mal andais.

Franceses, ouvi bem: Sois rudes, sois brutais.
Tamanha ingratidão não tem razão de ser."

Mas mal termina a frase, olhando a Terra,
fica possuído de orgulho, o coração em festa...
Os Infantes, semideuses, heróis em gesta,
Que a luz do sol poente envolve e magnifica,
Marcham erectos, viris, o olhar altivo e ousado...
Fremente, perturbada, a imensa multidão,
Por um alto mandato ou estranha inspiração,
Havia ajoelhado."


Adaptação livre Cap. J.M. Galhardo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

CARTA SEM RETORNO


 Querida mãe,

Lamento muito o mal que estás a passar por causa do diabo da gripe. Tenho a certeza que vais melhorar, porque és uma pessoa forte e sabes que tens pessoas neste mundo que gostam muito de ti e querem muito que tu melhores.
Também lamento não poder estar aí a dar-te apoio, apesar de acompanhar diariamente o teu estado de saúde, mas também compreenderás que não somos donos do nosso destino e a vida tem que continuar. No entanto sei que estás a ser bem acompanhada. A Dra. M[…], a tua médica da Medicina2, (enfermaria onde estás internada) disse-me que estás a recuperar bem e também falei hoje com o Dr. M[…] C[…] que também está a acompanhar a tua situação, disse-me que estás a recuperar, lentamente sim, mas a recuperar. Ademais disse que logo que as tuas análises estejam favoráveis aproveita para fazer a medicação que costumavas fazer mensalmente. Por isso ainda não te deram alta.
Na residência geriátrica também estão a acompanhar a tua situação e sei que te visitam todos os dias. Tenho falado com a diretora, a Dra. J[…] e a enfermeira C[…] e tem-me contado como estás.
Também tenho falado com o […] e foi ele que me disse que a tia A[…] também já te foi visitar.
O tempo passa rápido. Já vai fazer quase um mês que estive aí. Na próxima semana, em princípio segunda, vou aí a C[…] para matar saudades, em especial de ti, a minha mãe, a mãe que amou sempre incondicionalmente os seus filhos e do qual estou profundamente reconhecido.
Espero que nessa altura já estejas completamente recuperada, mas se não estiveres não faz mal. Dou-te umas beijocas e verás como rapidamente te pões "guicha"! Entretanto aproveita para comer a sopinha daí do hospital de que tanto gostas!
Da minha parte por aqui está tudo a correr bem. Estou de boa saúde e isso já é mais que suficiente para andar tudo sobre rodas. Ah! A propósito de rodas estou agora a aprender a andar em patins. Nada demais, não é difícil. É só apanhar o jeito e praticar.
Estou a escrever-te porque mais uma vez a constipação te atacou a audição e por isso ficamos incomunicados.
Despeço-me assim com um até já, pois falta muito pouco tempo para aparecer por aí.

Um beijo grande e votos de boa recuperação,

do teu filho M[…] M[…]

11 de Fevereiro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

A ESCOLA NO MEU TEMPO

A escola no meu tempo, situa-se lá para o ano de 1976/77, ou seja, há cerca de 30 anos, quando andava no 2º ano do ciclo preparatório, que equivale agora ao vosso 6º ano de escolaridade.
Frequentei a Escola Preparatória Luís António Verney em Lisboa, mais propriamente no Bairro Madre de Deus, a qual tinha na altura, segundo a minha perspectiva, um aspecto moderno e funcional. Para além das salas de aula, tinha espaços adequados para as aulas de Música, Trabalhos Manuais e ainda um pavilhão gimnodesportivo para a Educação Física, com balneários para tomar banho. Nas suas imediações (fora da escola) existia um grande parque com árvores muito grandes e frondosas, onde nos refugiávamos, mais em especial na Primavera e no Verão, quando não havia aulas ou nos intervalos maiores. Aí, entretínhamo-nos a brincar, e por vezes mastigávamos umas ervas que tinham uma flor branca na sua extremidade, que davam um sumo ácido, a que chamávamos azedas. Um verdadeiro vício, que nos deixava a boca num estado lastimável, como quando comemos diospiros mal maduros.
A professora que nos dava Música era invisual, mas não deixou por isso de nos dar boas lições de música e belas lições de vida. Tenho a sensação que foi o ano em que aprendi mais música na minha vida.
Olhando para as disciplinas que existem actualmente (a que chamam agora de áreas curriculares), não noto grandes diferenças para além das designações, como as disciplinas de Trabalhos Manuais, Desenho, Música… Lembro-me de em determinada altura, termos umas sessões especiais de Educação Sexual, com a projecção de um filme, (deviam fazer parte de um projecto) que foram um sucesso entre a rapaziada. A verdade é que desde então esqueci-me de muita coisa, mas sobre essas sessões ainda era capaz de descrever algumas cenas! As classificações no ciclo preparatório (5º e 6º ano) eram quantificadas de 0 a 20 valores.
No ano a seguir fui para o Liceu Gil Vicente, também em Lisboa, onde frequentei o 7º, 8º e 9º ano de escolaridade – designação que ainda agora se mantém. Nesta escola o espaço era mais limitado, mas não deixava por isso de ter todas as condições.
À porta estava sempre uma senhora com um grande cesto de verga, cheia de bolos fresquinhos. Ao meio da manhã nunca falhava para ir comprar uma grande “bola de Berlim” cheia de creme – uma verdadeira delícia, que agora é banida pelos nutricionistas por ser uma das causas de obesidade da juventude (têm razão!).
Quanto a disciplinas, de pouco me lembro, para além de que foi o único ano da disciplina de inglês durante todo o meu ensino secundário (nos restantes anos tive Francês). A professora era muito rezingona e se demorávamos um pouco a pensar para responder às perguntas dela, punha-se a gritar toda histérica - “quikly, quikly!”.
No ano a seguir, no 9º ano, mais propriamente em 1979, o grupo musical Cheap Trick fazia furor com o seu grande sucesso “I want you, to want me” e foi o lançamento bombástico do álbum The Wall dos Pink Floyd. A canção “Another Brick in the Wall” era a preferida da malta, em especial quando as crianças gritavam em coro “We don’nt need education, we don’t need more control … ei teacher, live the kids allown!” – um verdadeiro hino para o pessoal!
Nesses anos, as classificações dos testes e das disciplinas eram quantificadas de 0 a 5 valores. No final do 9º ano tivemos exames que condicionavam a passagem de ano para o 10º. Um aluno que tivesse um 4 a uma disciplina, para passar de ano, tinha que ter um 2 no exame. Não é para me gabar, mas como tinha bastantes quatros, o processo não me enervou muito.
Nos 10º e 11º anos, a avaliação voltou a ser na escala de 0 a 20 valores. Já existiam as diversas áreas de letras e ciências Eu fui para a de ciências, mais propriamente para Metalomecânica, a que agora designam como curso Tecnológico.
No 12º ano reprovei num exame de final de época a uma disciplina (Física e Química) o que me obrigou a repetir o ano só por causa dessa cadeira. O melhor do episódio, foi que no ano seguinte esses exames que me fizeram marcar passo um ano, deixaram de existir. Chama-se a isto azar nítido.
Muito mais haveria para contar, não fosse a minha curta memória, mas analisando tudo o que se passou na minha vida de estudante, depreendo que fomos autenticas cobaias nas mãos de uma política instável, onde tiravam, punham e moviam como se de um jogo de xadrez se tratasse.
Como devem imaginar, na altura ainda estava fresca a revolução do 25 de Abril de 1974, pelo que se viviam momentos conturbados, onde tudo se queria mudar. Podemos tomar então isso como desculpa para todas as convulsões da reforma do ensino. Porém, passados 30 anos, continua tudo muito parecido ao que era no meu tempo, para além de convenientes alterações de designação.

O ensino ao longo de todos estes anos, faz lembrar um veleiro que anda à deriva e que muda de rumo conforme muda a direcção do vento (e muda o poder político). Por isso meus amiguinhos, vocês que estão no barco, sujeitos a encalhar, agarrem-se com força à única coisa que vos pode salvar – os vossos professores. São eles que vos dão os preciosos conhecimentos e com eles poderem vir a obter uma profissão que corresponda aos vossos anseios.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

DESPEDIDA DA MINHA MÃE


A morte é negra, dura e escura. A ela ninguém escapa... Mas eu hei-de escapar!... Sabem como? Compro uma panela, meto-me dentro dela, custa-me um vintém,  tapo-a muito bem, Nisto vem a morte e diz: aqui não há ninguém!!!
Era assim que a Maria Irene Teixeira Pires da Silva, nascida em 03/09/1922, recitava em tom de brincadeira, sem hesitações, inúmeras passagens de peças de teatro, que tinha aprendido quando jovem, na Escola.
Nasceu na então vila de Chaves, mas cedo foi viver com toda a sua família para Faiões, de onde tinham origem.
A década de 20 e 30 era de crise, com muita pobreza. Por ser a mais velha e a única rapariga de entre 4 irmãos sobrevivos (morreram 3), e porque era tradição, quase lhe foi imposto o destino das lides caseiras, mas graças à sua  mãe, acabou por ser poupada a tal desígnio.
Em vez disso, aos 12 anos mandaram-na estudar para o Colégio Teresiano em Braga. Aí, adquiriu uma sólida formação académica e religiosa, acabando por frequentar o Magistério Primário e assim ser professora do ensino primário.
Na altura a falta de professores era tão grande (a sua formação esteve encerrada durante vários anos e só abriu no ano em que concorreu - 1942) que mesmo antes de frequentar o magistério, a tão só aprovação no exame de admissão, permitiu-lhe leccionar durante 4 meses em Santa Cruz de Cimo de Vila da Castanheira, em regime provisório, até começar o Magistério.
No final de 1945 acabou o Magistério Primário em Braga e finalmente regressou à sua querida terra. No 1º ano de professora leccionou em Roriz e os 14 seguintes passou-os em Oucidres.
Em 1957, mais propriamente em 19 de Setembro, casou com João Maria Pires da Silva, constituindo-se assim um dos grandes momentos que marcaram a sua vida.
Em 1960 aproximou-se mais da sua terra natal, ao ser colocada em Vila Verde da Raia, onde esteve 3 anos e após este período foi para a escola de Faiões, onde permaneceu 22 anos, até que se reformou, em 1984.
Teve dois filhos, onde investiu toda a sua vida e todo o seu amor, cego e incondicional.
A sua vida foi longa e bem acompanhada pelo seu marido de sempre, no entanto, como todas as viagens têm o seu fim, também a dela chegou ao seu termo.
Já partiu, mas ficou a sua obra reconhecida: centenas de crianças, agora adultos, que receberam uma sólida formação e recordam com saudade o seu zelo e empenho, os seus filhos que viveram por entre a saudade e o amor de uma mãe dedicada, e sentem que tiveram o melhor daquilo que lhes podiam oferecer, e uma terra (Faiões) que foi o seu berço e da qual nunca se quis desprender.
Agora está junto Daquele com quem compartiu a sua incondicional fé e amor: Jesus Cristo, que a deve ter agora mesmo acolhida entre os seus braços.
Perante uma vida tão completa e bem realizada, devemos aqui, não despedir a morte, mas sim celebrar a vida, a qual a D. Irene percorreu com tanta vontade e alegria.
Bem haja mãe e descansa em paz.

Faiões, 23 de Fevereiro de 2015