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quarta-feira, 12 de abril de 2017

MISÉRIA ENERGÉTICA

Sim, é isso mesmo que estamos a viver neste momento. Miséria energética!
Temos que retorcer-nos para gastar o mínimo, porque o preço da energia está pelas nuvens.
Não é porque esteja difícil de obter, mas porque está como tudo o que dá dinheiro, está sujeito a uma obscura especulação a que a política propositada e interessadamente fecha os olhos ou até incentiva.
Como se isso não fosse suficiente, voltam os políticos a meter a mão, utilizando para tal  um dos instrumentos seus preferidos  chamado de impostos, que neste momento agrava em mais 23% a factura e assim poderem compensar a desastrosa gestão que fazem do dinheiro recaudado.
Ao ver o valor final de uma factura, fico absolutamente alarmado e preocupado sobre a miséria a que nos submetem, tudo para que uns poucos vivam com muito (milhões) e possam fazer uma gestão desafogada e despreocupada dos dinheiros públicos.
Para o caso de que alguém tenha dúvidas, pode-se ver a factura acabadinha de chegar, nítida e a cores!
33,74 € de electricidade, 34,30€ de gás e 27,15 € de impostos!!!


domingo, 20 de dezembro de 2015

A ESCOLA NO MEU TEMPO

A escola no meu tempo, situa-se lá para o ano de 1976/77, ou seja, há cerca de 30 anos, quando andava no 2º ano do ciclo preparatório, que equivale agora ao vosso 6º ano de escolaridade.
Frequentei a Escola Preparatória Luís António Verney em Lisboa, mais propriamente no Bairro Madre de Deus, a qual tinha na altura, segundo a minha perspectiva, um aspecto moderno e funcional. Para além das salas de aula, tinha espaços adequados para as aulas de Música, Trabalhos Manuais e ainda um pavilhão gimnodesportivo para a Educação Física, com balneários para tomar banho. Nas suas imediações (fora da escola) existia um grande parque com árvores muito grandes e frondosas, onde nos refugiávamos, mais em especial na Primavera e no Verão, quando não havia aulas ou nos intervalos maiores. Aí, entretínhamo-nos a brincar, e por vezes mastigávamos umas ervas que tinham uma flor branca na sua extremidade, que davam um sumo ácido, a que chamávamos azedas. Um verdadeiro vício, que nos deixava a boca num estado lastimável, como quando comemos diospiros mal maduros.
A professora que nos dava Música era invisual, mas não deixou por isso de nos dar boas lições de música e belas lições de vida. Tenho a sensação que foi o ano em que aprendi mais música na minha vida.
Olhando para as disciplinas que existem actualmente (a que chamam agora de áreas curriculares), não noto grandes diferenças para além das designações, como as disciplinas de Trabalhos Manuais, Desenho, Música… Lembro-me de em determinada altura, termos umas sessões especiais de Educação Sexual, com a projecção de um filme, (deviam fazer parte de um projecto) que foram um sucesso entre a rapaziada. A verdade é que desde então esqueci-me de muita coisa, mas sobre essas sessões ainda era capaz de descrever algumas cenas! As classificações no ciclo preparatório (5º e 6º ano) eram quantificadas de 0 a 20 valores.
No ano a seguir fui para o Liceu Gil Vicente, também em Lisboa, onde frequentei o 7º, 8º e 9º ano de escolaridade – designação que ainda agora se mantém. Nesta escola o espaço era mais limitado, mas não deixava por isso de ter todas as condições.
À porta estava sempre uma senhora com um grande cesto de verga, cheia de bolos fresquinhos. Ao meio da manhã nunca falhava para ir comprar uma grande “bola de Berlim” cheia de creme – uma verdadeira delícia, que agora é banida pelos nutricionistas por ser uma das causas de obesidade da juventude (têm razão!).
Quanto a disciplinas, de pouco me lembro, para além de que foi o único ano da disciplina de inglês durante todo o meu ensino secundário (nos restantes anos tive Francês). A professora era muito rezingona e se demorávamos um pouco a pensar para responder às perguntas dela, punha-se a gritar toda histérica - “quikly, quikly!”.
No ano a seguir, no 9º ano, mais propriamente em 1979, o grupo musical Cheap Trick fazia furor com o seu grande sucesso “I want you, to want me” e foi o lançamento bombástico do álbum The Wall dos Pink Floyd. A canção “Another Brick in the Wall” era a preferida da malta, em especial quando as crianças gritavam em coro “We don’nt need education, we don’t need more control … ei teacher, live the kids allown!” – um verdadeiro hino para o pessoal!
Nesses anos, as classificações dos testes e das disciplinas eram quantificadas de 0 a 5 valores. No final do 9º ano tivemos exames que condicionavam a passagem de ano para o 10º. Um aluno que tivesse um 4 a uma disciplina, para passar de ano, tinha que ter um 2 no exame. Não é para me gabar, mas como tinha bastantes quatros, o processo não me enervou muito.
Nos 10º e 11º anos, a avaliação voltou a ser na escala de 0 a 20 valores. Já existiam as diversas áreas de letras e ciências Eu fui para a de ciências, mais propriamente para Metalomecânica, a que agora designam como curso Tecnológico.
No 12º ano reprovei num exame de final de época a uma disciplina (Física e Química) o que me obrigou a repetir o ano só por causa dessa cadeira. O melhor do episódio, foi que no ano seguinte esses exames que me fizeram marcar passo um ano, deixaram de existir. Chama-se a isto azar nítido.
Muito mais haveria para contar, não fosse a minha curta memória, mas analisando tudo o que se passou na minha vida de estudante, depreendo que fomos autenticas cobaias nas mãos de uma política instável, onde tiravam, punham e moviam como se de um jogo de xadrez se tratasse.
Como devem imaginar, na altura ainda estava fresca a revolução do 25 de Abril de 1974, pelo que se viviam momentos conturbados, onde tudo se queria mudar. Podemos tomar então isso como desculpa para todas as convulsões da reforma do ensino. Porém, passados 30 anos, continua tudo muito parecido ao que era no meu tempo, para além de convenientes alterações de designação.

O ensino ao longo de todos estes anos, faz lembrar um veleiro que anda à deriva e que muda de rumo conforme muda a direcção do vento (e muda o poder político). Por isso meus amiguinhos, vocês que estão no barco, sujeitos a encalhar, agarrem-se com força à única coisa que vos pode salvar – os vossos professores. São eles que vos dão os preciosos conhecimentos e com eles poderem vir a obter uma profissão que corresponda aos vossos anseios.

quinta-feira, 1 de março de 2012

À SOMBRA DA MENTIRA


  “Anda meio mundo a enganar outro meio” – é uma frase “pronta a servir” que já há muito conheço e que cada vez tem mais peso nos tempos que correm.

Dantes, com o que lia nos livros, jornais, revistas e via na televisão,, sentia-me mais ou menos seguro das elações que tirava dos mesmos, quanto à sua autenticidade. O jornalismo era relativamente sério (apesar de haver sempre um pouco de tudo em todo o lado), e notava-se por parte dos seus profissionais, um certo cuidado em procurar a verdade e relatá-la de forma isenta, clara precisa e concisa.
Com a democracia “Abrilesca de 74”, para além de deixar de existir a censura, cada um passou a dizer aquilo que muito bem entendia, sem qualquer pingo de vergonha, apostando fortemente no princípio de que “uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade”. Este método foi, e é, explorado até ao limite pelos nossos políticos.
Com a explosão dos meios de comunicação social, cada um deixou de estar no seu cantinho, passando de repente a ter o mundo a seus pés. O fluxo de informação multiplicou-se exponencialmente. Onde antes apenas sabíamos das desgraças locais e das nacionais de maior relevância, passamos a ver em todo o mundo e em directo aquilo que se passava.
A nossa adaptação foi tão rápida como a própria informatização e digitalização dos meios. Só que o acesso fácil, também trouxe a mentira fácil.
Às vezes, tão depressa aparece alguém a dar uma notícia, como aparece outrem a desmenti-la. Como é o caso dos mediáticos e eternos julgamentos como o da “Casa Pia”, onde a manipulação dos factos, é uma verdadeira especialidade dos profissionais da justiça e da comunicação. Se aparece um relato que um indivíduo é constituído arguido, rapidamente vem alguém a corrigir que é apenas testemunha; se um diz que o conhece, vem o outro dizer que nunca o viu, se um diz que o viu em tal lado, o outro diz que nunca lá esteve. Mesmo com o desfecho da sentença (se alguma vez acontecer), os condenados irão sempre gritar que estão inocentes. Nessa altura iremos duvidar da justiça e perguntar: será que o tribunal está a ser verdadeiro e íntegro?
Onde o pagode é maior, é no meio político, mais propriamente na Assembleia da República. Se um partido diz que determinada reforma é boa, outro partido diz que é má; se declaram que o défice está a baixar, vem outros dizer que está é a subir, pois os dados estão a ser manipulados. Porque é que na política, a verdade está sempre dividida ao meio?
Com a entrada da era digital, a confusão instalou-se definitivamente. Os filmes de ficção são feitos com uma perfeição tal que praticamente não se distingue o que é realidade. As fotos digitais são facilmente alteradas, sem que alguém se aperceba de que algo está errado.
Só o futebol passa incólume às evoluções tecnológicas. A sua utilização para tornar a decisão do árbitro mais clara e justa não interessa; preferem continuar com os jogos de manipulação nos bastidores e assim alimentar a polémica que enche tantas páginas dos jornais. O que seria do futebol sem a discussão e a controvérsia!
Perante tudo isto, tenho que concluir, um pouco desanimado, que a tecnologia da comunicação e imagem, só é utilizada no meio político e outras áreas afins (justiça, informação, futebol, etc.), para alimentar a mentira e a confusão. Se for para apurar a verdade, então preferem o tradicional e o grosseiro. Estamos num paraíso chamado Portugal! Mais nada!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

POLÍTICA – O CANCRO DA SOCIEDADE

(Cuidados com os ditadores e os criminosos!)
 

Não sei se já reparam que a maior parte dos grandes males que se passam neste país, convergem (ou tem origem) tudo no mesmo – na política.
Porque quem faz a política são pessoas, e que deviam, para além de cumprirem com zelo os seus deveres, serem um exemplo de comportamento moral e cívico, nada disso, muitos de deles cometem desde os mais hediondos crimes (corrupção, pedofilia, etc.) até às mais pequenas faltas, tudo em nome do povo, que votou neles.
Apesar de o nosso sistema político ser democrático, o processo é típico de uma ditadura - tiram proveito e dão a ganhar àqueles que estão em seu redor. Talvez seja por isso que até à data, apesar dos mega - processos que passam e já passaram em tribunal, ainda não vimos nenhum político ir parar à prisão com pena efectiva.
Viver numa democracia não quer dizer que não existam ditadores. O ser humano gosta de poder e de dominar o seu semelhante. Por isso eles, tal como os pedófilos, encontram-se na sombra à espera da melhor oportunidade para emergir e colocar em prática as suas pérfidas ideias.
O Zé Sócrates se tivesse governado em altura mais propícia (há mais de 4 décadas), já ninguém o tirava de lá mais. Tinha todas as características de um impiedoso e manipulador déspota, fazendo rolar cabeças a quem lhe fizesse frente. Não foi coincidência ter criado tamanha empatia (e muitos negócios) com o presidente Hugo Chávez.
No entanto, com o actual ambiente político na Europa é praticamente impossível um ditador conseguir impor-se contra os votos do povo, ou melhor, sem antes enganar o povo, que diga-se de passagem, é bem fácil de fazer.
São tão “bons” uns como os outros. No hemiciclo discutem violentamente, parecendo odiar-se, mas em privado parecem uma família coesa e amiga.
São também os políticos que, enquanto estão à espera de regressar à ribalta da política, ocupam cargos chorudamente remunerados. Lembram-se dos “jobs for de boys”? Pois é. É coisa antiga, mas que dura, dura... Há décadas que eles se revezam da política para os cargos nas empresas, e é assim que delapidam tudo por onde passam. Para descobrir basta levantar o véu. Mas não se preocupem que ninguém vai ser condenado, pois existem advogados de primeira linha para os defenderem, e mais não digo sobre a justiça em Portugal. Já sei que não são todos iguais, mas quem tem vergonha não faz da política uma profissão.
Sonho que um dia irá aparecer alguém que vai acabar com os oportunistas e com os grupos de interesses instalados, aos quais chamam partidos, e instituir um sistema de governação verdadeiramente justo e democrático.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A EUFORIA DA PASSAGEM DE ANO

Peço desculpa àqueles que não partilhem o meu sentimento, e que devem ser muitos, mas tenho a dificuldade de não conseguir nos momentos de euforia da passagem de ano, apurar um único pingo de alegria, principalmente quando estão a soar as doze badaladas.
Não é que seja um momento de tristeza, mas a passagem para um ano diferente não me dá qualquer satisfação especial. Já sei que esta ocorrência, tal como a de Natal e similares, é um pretexto para fazer uma festa e muitas outras coisas, mas muitas vezes cai-se no exagero de exagerar tudo. Exageramos a beber, exageramos a comer, exageramos a comprar, exageramos nos nossos sentimentos, exageramos na forma como tratamos os outros… e até no dia seguinte exageramos na ressaca… só não exageramos a trabalhar.
Lembro-me da passagem de ano que coincidiu com a passagem de século, de me interrogar: - se numa passagem de ano normal ficamos eufóricos, que é que devemos sentir numa passagem de século, para comemorar tão distinto acontecimento? Nada. Tudo o que se fez foi igualzinho aos anos anteriores, para além de se acrescentar verbalmente que, não só estávamos a passar de ano, mas também de século.
Os “não-alinhados” como eu, têm um bom remédio para passar o ano de uma forma alegre ou mesmo eufórica – beber uns copos, e a partir daí, é saltar de alegria no momento chave. Nestes termos, é natural já alguém me ter visto a transbordar de felicidade, o problema é que no dia seguinte andei com a garganta seca como uma cortiça e a cabeça pesada como uma pedra, facto que lamentei e jurei não repetir… até outra ocasião.
A passagem de ano já me deu grandes satisfações. Como por exemplo, quando deixar de fumar para o resto da vida, em 1983. Ajudou-me algumas vezes a consolidar amizades e conhecer pessoas novas. E também me ajudou a compreender que não se deve beber tudo de uma vez!
Imagino quantos ou quantas, entram no dia 31 sozinhos e saem no dia 1 com namorada (é o que se diz entrar de carrinho e sair de carrão)! Mas também o contrário pode acontecer e tornar-se uma data de grande pesar. Esses poderão consolar-se pensando que melhores passagens de ano virão!
Também há quem passe o ano na caminha a dormir, mas existem muitos mais que o fazem a trabalhar.
Resumindo, cada um de nós faz (ou tenta fazer) da passagem de ano aquilo que deseja que seja. Por isso uns deitam-se cedo como as galinhas e outros só se deitam quando muitos se levantam.
Esta passagem de ano não bebi, por isso a alegria não foi muita. Na próxima se calhar vou beber, mas sem álcool. Bem, com ainda tenho muito tempo ainda vou pensar até lá.
Bom ano 2012!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O NATAL DOS DEPRIMIDOS

     A mensagem é inequívoca: o Natal é época de paz e de felicidade, onde as famílias se reúnem em harmonia, demonstrando a sua amizade com a troca de prendas e comendo fartos repastos.
Tudo começa um mês antes com um ataque em massa do comércio a apelar ao consumo natalício. Ao fim de uns minutos no hipermercado, fico longo apático com aquelas músicas apaziguadoras e fraternas. Aproxima-se a data da grande festa e as televisões mostram nos noticiários, as pessoas atarefadas a fazerem as compras de última hora, e a mim a porem-me nervoso por ainda não ter comprado nada. Depois exibem espectáculos deprimentes como é o “Natal dos Hospitais”.
     A mim não se passa nada, porque não ligo a este tipo de festividades. Eu fico alegre ou triste, mais por intuição do que por estimulação, e por isso tenho a convicção que o Natal “dá mais trabalho do que vale”, semeando mais tristeza do que alegria.
Para muitos ficarem alegres ao receberem prendas, como é o caso das crianças, pois a ilusão da época é sobretudo para elas, muitos tem que fazer contas de cabeça e privações. Outros nem sequer recebem nada. Qual é a alegria de uma família que vê tanta fartura à sua volta e nada tem para dar aos seus?
Os carenciados, que nada tem que comer ou onde dormir, vale-lhes a caridade das instituições humanitárias, para comer um bocado de bacalhau e bolo-rei, mas no fundo devem sentir uma profunda melancolia, pois deve-lhes recordar momentos bem melhores do que aqueles que estão a viver.
Quem já perdeu os seus entes mais queridos, a recordação da sua companhia também não deve deixar-lhes muito espaço para alegrias. E quem está internado nos hospitais e nas prisões? E aqueles que tem familiares doentes no hospital? E aqueles que estão em lares? E aqueles que estão de serviço? Forças de segurança, médicos, enfermeiros, auxiliares, bombeiros, militares, etc.
Quem trabalha, faz as refeições, lava os pratos, põe e levanta a mesa, será que se sentem felizes com a época natalícia?
Os solteiros, viúvos, divorciados e todos aqueles que não tem família próxima, poucas razões têm para se sentirem alegres, pelo contrário, é uma época que custa a passar.
A época de Natal tornou-se um festejo socialmente doentio, em que tudo somado gera mais tristeza, frustração e depressão do que alegria.
Se o Natal dependesse de mim e pudesse ser cancelado por decreto, eu acabava com ele, pois tenho a convicção que existiriam mais pessoas a ficar aliviadas do que aquelas que ficariam tristes. O mesmo se aplica à estúpida festa de passagem de ano.